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Notícias

Alternativa para suprir necessidade energética do País “está nos canaviais”

08/02/2012

O ritmo de crescimento da economia brasileira aponta para a necessidade de um aumento na geração de energia elétrica equivalente à capacidade de oito usinas de Belo Monte ao longo dos próximos nove anos, segundo projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Para atender a essa demanda, serão necessárias várias alternativas de oferta de energia,  sendo uma delas a que está “adormecida” nos canaviais do País: a bioeletricidade produzida a partir do bagaço e da palha de cana-de-açúcar, avalia o gerente de Bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Zilmar de Souza.

Durante palestra no Congresso “Thermal Energy LatAm 2012,” realizado no Rio de Janeiro (RJ) em 31/01, Souza lembrou que a eletricidade extraída do bagaço e da palha da cana pode gerar o equivalente a três hidrelétricas Belo Monte. “E o mais importante, sem degradar o meio ambiente,”  explicou, acrescentando que para essa energia renovável tornar-se viável é necessário investimento.

“É preciso construir mais usinas e reformar as já existentes, além do aproveitamento da palha para geração de energia. Uma política clara sobre o papel real da bioletricidade dentro da matriz energética também deve ser estabelecida,” defendeu o gerente da UNICA.

Para Souza, o consumo nacional de eletricidade vai crescer quase 5% ao ano na próxima década. “Do lado da demanda há  espaço para todas as fontes renováveis, faltando apenas uma política setorial de longo prazo que passa, necessariamente, por rediscutir a forma atual de contratação nos leilões regulados.”

Leilões genéricos ainda preocupam
Os leilões promovidos pelo Governo Federal são a principal porta de entrada para a bioeletricidade no setor elétrico, lembrou Souza. “No passado, em um único ano, foram comercializados quase 600 MegaWatts médios (MW/m) de bioeletricidade. Mas desde 2009 pouco mais de 15% desse valor é vendido anualmente,” explicou o executivo da UNICA.

Parte do problema está na forma atual de contratação de energia. Pelas regras vigentes, o formato dos pregões envolve a contratação de fontes distintas, que concorrem pela mesma demanda, o que causa uma série de distorções relacionadas a preço e competitividade de cada matriz energética.

“Se uma fonte tem um benefício fiscal ou financiamento menos oneroso, ou situação conjuntural favorável, a tendência será de que ela domine o leilão, expulsando as demais.

O resultado pode ser satisfatório momentaneamente, com preços decrescentes, mas será preocupante com o passar do tempo. Corre-se o risco de desmantelar indústrias maduras, nacionais e que geram empregos tecnológicos importantes,” apontou Souza.

Para o especialista da UNICA, nesses leilões genéricos, é impossível cumprir com os “princípios de isonomia e competividade entre as fontes.” Segundo ele, o ideal é  comercializar por fonte de geração, com planejamento de longo prazo e uma política setorial para as fontes renováveis.

“Como está hoje,  a matriz de energia elétrica é montada com base nos resultados dos leilões genéricos, e não o inverso. Joga-se a moeda e se verifica qual o tipo de energia que estará disputando entre si. Precisamos resgatar o planejamento setorial, buscando promover a diversificação,  preferencialmente sempre com fontes renováveis e complementares à fonte principal que é a hidroeletricidade. Nesses aspectos, a bioeletricidade é  fonte estratégica e deveria ser olhada com mais atenção pelo Governo Federal,” concluiu Souza.

Em sua segunda edição, o Thermal Energy Latin America, que teve apoio da UNICA, contou também com a participação do ex-governador do Ceará e candidato à presidência da República, Ciro Gomes, e do superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, Cícero Bley, entre outros.


Fonte: Unica

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